Arquivo de posts sobre ‘Xbox’

Salve pessoal! Semana cheia de novidades até agora, muita coisa bacana acontecendo no Portalxbox (incluindo uma promoção animal de Halo Reach que começa amanhã), no Jogo Justo, na minha empresa WebWave. Enfim, uma semana de ouro!

Porém, o que eu gostaria de conversar com vocês neste post em específico é sobre as últimas novidades da Live Brasil, e principalmente uma excelente notícia que acabei de receber diretamente da Microsoft Brasil, e um grande sinal de respeito pela comunidade brasileira do Xbox 360.

Antes, uma pequena recapitulação do que já veio à tona até agora envolvendo este serviço tão aguardado pelos brasileiros.

A Live Brasil foi oficialmente anunciada logo após a conferência de imprensa da Microsoft na Electronic Entertainment Expo (E3) de Los Angeles. Na ocasião a empresa divulgou em sua coletiva de imprensa um mapa-mundi com os novos países a receber a extensão do serviço, e logo após a conferência a Microsoft Brasil se apressou em divulgar um press-release oficializando o anúncio, porém sem ainda citar datas de início, preços e condições de assinatura.

No início de Julho, usuários do Portalxbox descobriram que, de alguma forma, já era possível o cadastramento de contas com endereço brasileiro, incluindo uma oferta de 12 meses por R$89, cobrados no cartão de crédito.

A notícia, claro, caiu como uma bomba em toda a internet e rapidamente várias pessoas estavam fazendo contas para testar a “Live Brasil” – muitos com contas Silver, e alguns corajosos inclusive com contas ouro. Seria este o início da Live Brasil, de forma apagada e sem alarde?

A Microsoft Brasil se apressou em esclarecer a situação através de um comunicado que deixou claro que aquele não era o início de atividades, mas apenas uma homologação:

“Estamos atualizando o sistema de testes do serviço Xbox Live, incluindo as ofertas de testes nos mercados anteriormente mencionados (entre eles Brasil, Chile e Colômbia)”

Dias após a confirmação de que eram testes de sistema, os usuários que fizeram o cadastramento destas primeiras contas receberam o seguinte email do time Xbox Live Brasil:

Estamos felizes em confirmar que o Xbox LIVE será lançado no Brasil neste final de ano, proporcionando uma ótima experiência online de jogos e entretenimento para você.

Como preparação para o lançamento, estamos executando testes de sistema do Xbox LIVE, e durante este perído algumas contas brasileiras foram criadas. Ainda que estejamos contentes com a empolgação dos nossos consumidores em ter contas do Xbox LIVE no Brasil, os testes ainda não foram concluídos e por esse motivo o acesso ao serviço no Brasil foi removido até a data do lançamento.

Nos próximos dias, será necessário cancelarmos seu acesso ao serviço LIVE e, caso tenha adquirido uma assinatura Gold, faremos o reembolso do valor pago.

Com isso, ao efetuar o login com a conta brasileira, verá uma tela de notificação da suspensão de sua conta – conforme imagem a seguir. Não se preocupe, pois se trata de uma notificação padrão gerada pelo sistema.

A suspensão afeta somente a nova conta, criada com o perfil brasileiro.

Além disso, você ainda poderá usar seu nome de jogador e compensar a pausa temporária no acesso. Na verdade, gostaríamos de oferecer uma assinatura gratuita de 3 meses, que você poderá resgatar quando o serviço estiver disponível no Brasil.

Mais uma vez, obrigado por sua assinatura. Nós entraremos em contato novamente antes do lançamento através deste email com os códigos que você poderá usar para obter sua assinatura grátis de 3 meses.

Atenciosamente,
Equipe do Xbox LIVE Brasil

Uma mensagem muito mais esclarecedora sobre o que aconteceu. Para a cereja do bolo, tive a confirmação hoje da área Xbox da Microsoft Brasil que todos que se inscreveram na Live Brasil nesse período de teste receberão 3 meses “free” – e não apenas os que fizeram a conta gold. É bom frisar que este “período de testes”, acidental ou não, já se encerrou e no momento não é possível criar novas contas na Live Brasil. Portanto, a princípio a gratuidade acontecerá somente para os desbravadores, aqueles que criaram suas contas naquele período.

Considero esta cortesia um grande sinal de respeito da Microsoft Brasil em relação à comunidade Xbox Brasil – que é tão apaixonada por este produto, e que tanto luta para vencer as dificuldades do acesso à tecnologia em nosso país. São conquistas como estas que nos enchem de orgulho de fazer parte desta história, e que definitivamente trouxeram o Portalxbox ao que ele é hoje.

Parabéns!!!

Malegra on agosto - 12 - 2010
categorias: Mundo Microsoft, Xbox

Galera, conforme eu havia comentado com vocês em meu balanço da SP Game Show, tive a honra de ser convidado para participar de uma edição especial do fantástico podcast Sound Test, juntamente com o Moacyr Alves Jr. e o Renato Depaoli.

A edição ficou muito bacana e com muitos assuntos interessantes, como o Jogo Justo, o programa MVP, Xbox Live no Brasil, tamanho e potencial do mercado brasileiro, e muito mais. Não deixe de ouvir e deixar seus comentários lá no site do Sound Test.

E claro, não poderia deixar de agradecer mais uma vez o convite dos grandes Rodrigo Salsa e Mauricio Carvalho (que, por sinal, também mantém um blog excelente sobre tecnologia, o Mosquito Eletrônico, que definitivamente vale entrar para os favoritos).

Malegra on julho - 21 - 2010
categorias: Xbox

Bem, para fechar a sessão de “posts de balanço” que estão vindo à tona hoje que estou (um pouco mais) sossegado da correria do dia-a-dia, não poderia deixar de atualizar o que aconteceu na semana passada no projeto Jogo Justo.

Para quem não sabe, o projeto Jogo Justo propõe uma revisão na classificação dos impostos para videogames no Brasil, visando diminuir os valores finais cobrados tanto nos jogos quanto nos consoles importados comercializados por aqui.

Estou envolvido nesta iniciativa de meu grande amigo pessoal Moacyr Alves de várias formas, já que o Portalxbox atualmente está hospedando o site do projeto (e olha que tem acessos pra caramba, posso garantir :) ), e minha empresa WebWave dá apoio tecnológico ao mesmo. E, quando sobra um tempinho, tento acompanhar o ritmo de apoios que o MoMo consegue para o projeto atacando de webmaster do site.

Enfim, a semana passada foi extremamente agitada, pois abriu com uma entrevista concedida pelo Moacyr, o Marcos Khalil da UZ Games e eu para a Jovem Pan Online sobre o projeto, que quebrou todas as expectativas de acesso do vídeo no site e foi, de longe, o vídeo mais visto da semana. Seguindo-se a isto, tivemos na quinta-feira a realização de uma grande coletiva de imprensa que apresentou oficialmente o projeto e o deputado Busato para os jornalistas, e pode ser considerado o grande kickoff da iniciativa para o grande público.

Fique abaixo com os vídeos citados, e não deixe de acompanhar e divulgar este projeto tão importanto para o futuro dos gamers brasileiros!!!

Malegra on julho - 19 - 2010
categorias: Xbox

Bom galera, finalmente terminou a grande aventura que foi o o SP Game Show 2010. Após cinco dias em que estive presente por lá, acho que dá para fazer um grande balanço de tudo o que vi no evento e coisas que realmente valeram a pena:

- Minha palestra do dia 09/07, Perspectivas do Xbox 360, foi realmente muito bacana. Os assuntos tratados foram as possibilidades do Xbox Sleek, da Live Brasil, XNA, Kinect e Windows Phone. Na seção dedicada ao Kinect procurei focar mais nas possibilidades de Natural User Interface, as pesquisas do Microsoft Research (com direito a vídeo do Bill Buxton e Craig Mundie), e tentar fazer com que as pessoas pensem o Kinect de uma forma mais ampla. Agradeço demais a atenção de todos que estiveram por lá, em especial aos que participaram com perguntas e até mesmo correções (boa Chofi!), e parabenizo novamente todos os sortudos que ganharam os sorteios de várias camisetas do PXLDj, Age of Empires e Gears of War de PC, Halo ODST, e Alan Wake. Pensei em deixar a apresentação no SlideShare, mas minha palestra foi bastante calcada em vídeos, e seria difícil de compreender apenas por slides. O Moacyr filmou a apresentação e disponibilizou as primeiras três partes no Youtube, que seguem abaixo, mas justamente as partes que eu mais gostei (Kinect e Windows Phone 7) ele não conseguiu upar. Aguardemos os vídeos dos “Marcelos” da VGHQ, que filmaram a palestra inteira!

- Também tive a honra de participar dos debates A criação do videogame e seu contexto no avanço tecnológico (dia 10), O intercâmbio entre o videogame e as outras mídias (dia 11), e O cenário internacional de games / impressões pós-E3 (dia 17), todos muito legais e com pessoas muito interessantes. Pessoalmente, gostei muito das discussões do debate sobre o intercâmbio com outras mídias, aquele papo facilmente renderia por mais várias horas.

- Tive a alegria de ser convidado para conceder uma entrevista à TV Saga sobre o programa Xbox MVP e o Portalxbox. Além desta, também participei juntamente com Moacyr Alves e Renato Depaoli de uma entrevista para o podcast Soundtest. Assim que estiverem disponíveis, aviso aqui!

- Das outras palestras que assisti, adorei especialmente a palestra da Flávia Gasi sobre mitologia nos games e, claro, a palestra do Moacyr “MoMô” Alves sobre a história dos games, na qual inclusive colaborei como “piloto de Powerpoint”

- Sobre a feira em si, não tem como não destacar o stand gigantesco da Saga / UZ Games / GameMaxx, que muito abrilhantou o evento. Agradeço inclusive mais uma vez à galera da Saga por ter cedido uma parte de seu stand para realizarmos as palestras da sexta-feira. Quanto aos demais stands, acredito que a grande atração tenha sido a Nintendo, que se não apresentou nada de “novo” soube atrair atenção com a distribuição de vários prêmios realmente bacanas (minha filha mais velha ganhou uma meia muito bacana do Wii Fit). Até me arrisquei no New Super Mario Bros juntamente com a minha filha:

- No setor das apresentações músicais, gostei muito da galera do Chippanze, que faz um verdadeiro espetáculo áudio-visual. Por incrível que pareça não consegui ver nenhuma apresentação de meu grande amigo ZeroCoolBR e seu projeto PXLDJ (do qual inclusive sorteei algumas camisetas na minha palestra), mas pelo que me relataram e vi no youtube, foi realmente fenomenal. Confiram vocês mesmos:

E o grande ponto alto do evento, como não poderia deixar de ser, foi rever grandes amigos e conhecer novos, o fantástico networking que só um evento como estes pode proporcionar. Só posso ser grato de ter encontrado por lá gente como o MoMô, companheiro de guerra que tanto lutou pelo Jogo Justo durante o evento, Jalf que esteve comigo por lá na sexta-feira (e ainda esticamos para um chopp), Marcos Khalil sempre na correria, toda a galera do Chippanze, André “Pulselooper“, o polêmico Gus Lanzetta, Renato Bueno e toda a galera do Freeko, os Marcelos da VGHQ (parabéns pela cobertura, brothers!), Luizão do NDSBrasil, o super gente-boa Renato Depaoli que está voltando ao Brasil agora, a espetacular Flávia Gasi (valeu pela recomendação de novo, Flavinha!), Sabrina Carmona que manja muito, o grande Rogério Felix da SAGA (ainda temos muito o que conversar), meu conterrâneo BatZ, Marcelo Martins da Clefbits (taí uma empresa de muito futuro!), Pablo Miyazawa com a competência de sempre até quando a moderação do debate “caiu no seu colo”, meu grande amigo Eder Alarcon que me deu a maior força na palestra de sexta, Alexandre Choffi (valeu pela presença na palestra, mano!), Marcio5150 e ÉÉÉÉbbios do Portalxbox que pintaram por lá, Mauricio “xará” e Rodrigo Salsa do excelente podcast Soundtest (obrigado mais uma vez pela camiseta!) , Lucas Patrício que está arrebentando tudo na SAGA (depois acertamos a comissão no seu aumento ;) ), Pablo Raphael e Cláudio Prandoni da UOL Jogos, Gustavo Petró da G1, Ricardo “Shamaan” Farah da também extremamente promissora Sky 7, Henrique Sampaio da Arena Turbo, Rodrigo Flausino do GameDEV, e tantos mais. E claro, um grande agradecimento ao grande Tom Marques da Yamato, não apenas pelo convite mas pela organização disto tudo.

Nos vemos na SP Game Show 2011!!!

Malegra on julho - 19 - 2010
categorias: Xbox

Confesso que esperei a poeira baixar para sentar e escrever este editorial. Até mesmo porque, após uma maratona de acompanhar a conferência da Microsoft juntamente com a moderação do Liveblog do Portalxbox, depois acompanhar a reação da galera nos tópicos dos destaques da E3 e da Live Brasil, assistir as coletivas da EA e da Ubisoft, e ainda uma longa conversa com o PH e depois com Doc por telefone, eu estava simplesmente um caco e sem condições psicológicas de escrever qualquer coisa.

De todas as coletivas de imprensa da Microsoft na E3 até hoje, esta com certeza foi a que mais dividiu opiniões. Arrisco dizer, mesmo sem ter visto as coletivas da Sony e Nintendo ainda, que por conta de toda esta polêmica dificilmente a Microsoft se sagrará vencedora desta E3 2010 naquelas famosas “votações” promovidas pelos sites especializados.

Confesso que eu mesmo tenho sentimentos distintos, grandes alegrias e grandes preocupações para o Xbox este ano.

Começando já pelas boas notícias, finalmente a Live Brasil foi anunciada. E sim, na própria conferência, apesar do nome do Brasil não ter sido proferido pelo Marc Whiteen ou aparecido no telão, o que provocou a revolta de alguns exagerados que pareciam esperar que a Microsoft simplesmente parasse a coletiva, tocasse o hino e soasse vuvuzelas para o anúncio. De qualquer forma, logo após o término da coletiva a Microsoft Brasil se apressou em lançar um press release rapidinho para dar a chancela oficial ao anúncio.

Para nós que acompanhamos muito do trabalho de bastidores e do suor que a Microsoft Brasil e a Corp. deram para trazer esta conquista para o Brasil, só temos que parabenizar a todos pelo trabalho e esforço. O sentimento da maioria esmagadora dos jogadores é de vitória, e há que se comemorar mesmo. Certamente não teremos uma Xbox Live igual à americana, e não há outra no mundo no patamar dela, mas posso certificar que a Microsoft Brasil está fazendo um trabalho muito sério para trazer um serviço de qualidade. E, mais importante que isso, há que se pensar em todo o valor agregado que chegará junto com ela – a possibilidade dos desenvolvedores indie publicarem seus jogos no marketplace; os DLCs sem bloqueio de conteúdo; os códigos para download embutidos nos grandes lançamentos; a possibilidade de conteúdo brasileiro de vídeo e áudio no marketplace; a maior visibilidade das comunidades; a estatística mais refinada do uso brasileiro do serviço.

Excluindo esta excelente notícia para os brasileiros, devo dizer que a conferência em si me decepcionou. Acredito que a Microsoft sofreu este ano daquele grave complexo de superação – a coletiva de imprensa do ano passado teve um nível e um apelo tão gigante, que realmente seria difícil superar neste ano. A missão era inglória, ainda mais considerando o fato que o “efeito surpresa” do Kinect definitivamente já não era mais o mesmo.

Se no ano passado tivemos Paul McCartney, Ringo Starr, Tony Hawk e Steven Spielberg no palco, este ano tivemos uma ausência total de celebridades. Ficou claro que a estratégia da Microsoft este ano foi centralizar todo este esforço de apelo popular na apresentação do Cirque du Soleil, que parece ter sido ainda mais controversa nos relatos de quem foi – deixando a conferência para exibir os jogos. O que na minha opinião foi extremamente danoso para a conferência em si, esvaziando praticamente todo o impacto dos jogos do lançamento do Natal na coletiva, pois já havíamos visto seus vídeos e impressões.

Efeito semelhante teve o vazamento do novo design do Xbox 360 – que, ao contrário do que se pensava, não é necessariamente um slim, mas sim um sleek nas palavras da empresa, uma revisão para tornar o hardware mais silencioso, confiável e barato. Com fotos do novo console rodando a internet desde o final de semana, o impacto de seu anúncio na conferência foi de tal forma reduzido que apenas a notícia que cada um dos presentes receberia uma unidade gratuitamente realmente animou os convidados.

Em suma, avaliando a conferência em termos de show, na minha opinião faltou pegada, faltou carisma, faltaram aplausos. Mas, e em termo de jogos?

A Microsoft já havia iniciado uma tendência na E3 2009 em diminuir a quantidade de blockbusters e anúncios bombásticos de games em suas conferências, e seguiu a mesma este ano. Para a audiência hardcore, excessão feita ao anúncio do novo projeto exclusivo da Crytek, o que se viu foram demonstrações de grandes títulos que todo mundo já conhecia ou esperava. A série Halo parece finalmente estar dando conta do recado com louvor no quesito gráficos, e Gears of War evoluiu naturalmente para a campanha cooperativa em quatro jogadores. Tudo dentro do script, mas ainda assim digno de palmas.

No front do conteúdo e experiência de usuário, foram demonstrados recursos da nova dashboard como o controle por voz e o novo sistema de controle de playback dos filmes através do Kinect, estrategicamente controlados por um negro vestindo roupa preta para acabar de vez com os rumores de que o sensor não funcionava bem com negros. E o acordo com a ESPN hoje empolga os americanos, mas cairia como uma luva para os brasileiros ligados em esportes – é bom ficar de olho.

E com isto chegamos ao novo foco da conferência, quiçá da plataforma: os jogos casuais do Kinect.

Admito que tenho uma dificuldade gigantesca em avaliar o apelo dos jogos do Kinect. Minhas primeiras reações a todos eles foram a que imagino terem sido as mesmas de todos os jogadores hardcore – mas que tosco. E ainda que cada um dos títulos tenha um pequeno toque ou recurso que realmente só é possível no Kinect, é difícil não remeter ao Wii quando vemos os jogos sendo demonstrados.

Porém, à noite resolvi fazer uma pequena experiência: chamei minhas filhas para verem os trailers dos jogos (idades: 12, 11 e 9 anos). E elas simplesmente adoraram todos, com destaque para o Kinectimals, a genial transformação do Milo (que, por representar um ser humano, causou desconfiança e até mesmo medo em muitos usuários) em animais quase de pelúcia que transbordam carisma. Sinto que criei pequenos monstros que vão me perguntar todas as semanas quando “o jogo do tigrinho” chega em casa. E constatei, com toda a tristeza do mundo, que além de eu realmente estar ficando velho, estou deixando de ser o único público alvo das produtoras de games na minha casa. E vai ser difícil, muito difícil para mim abrir mão da exclusividade daquele hobby tão pessoal, o console que era só meu, e compartilhá-lo com toda a família. Mas será um caminho sem volta, e quanto antes me acostumar com isto, melhor.

Isto tudo posto, devo dizer que o que mais preocupou nesta conferência da Microsoft na E3 não foi o que vi, mas as ausências.

Esperava novidades relativas ao Windows Phone, que foi relegado a um slide e uma menção ainda menor que o Brasil pelo Marc Whiteen, e sinceramente acredito que isto machuca demais a plataforma. Seria a oportunidade perfeita para atiçar a curiosidade e o desejo do grande público pelo aparelho.

Mais do que isto, me preocupou bastante a aparente falta de apoio das third parties na conferência deste ano. Excessão feita à Activision, que mostrou um novo Call of Duty com sabor de mais do mesmo, e da Crytek com seu misterioso projeto exclusivo, nada foi visto na arena hardcore. Mas, ainda mais preocupante a meu ver, foi a quase ausência total de thirds no lançamento do Kinect. Sim, tivemos a Harmonix e a Ubisoft, mas os títulos de ambas não são exatamente inspirados – apesar de chamativos, e até potencialmente bacanas, um jogo de dança e outro de fitness já eram apostas praticamente certas para o Kinect. E apesar de todos saberem que o grande potencial e nicho do Kinect está nos jogos casuais, no fundo de nossos corações todos esperavam que algum grande gênio dos games, como o Kojima, apresentaria nesta E3 um uso realmente inovador e inesperado do antigo Project Natal. Não foi o que vimos, e isto chega a ser constrangedor para um produto que foi anunciado há exatamente um ano.

Se me permitem a opinião, acredito que as third estão em um grande compasso de espera em relação ao Kinect, e ao seu sucesso. O fato é que hoje ele é uma grande incógnita, incluindo o preço que surpreendentemente não foi revelado na coletiva. Neste aspecto, inclusive, concordo plenamente com o controverso Michael Pachter, que acertou em sua entrevista pré-coletiva para o site GameTrailers que a Microsoft não iria anunciar o preço, e para quem a empresa está aguardando o que a concorrência vai anunciar para tomar sua decisão final. Nunca o final da guerra dos consoles pareceu tão aberto e indefinido. Sorte a nossa.

Malegra on junho - 15 - 2010
categorias: Editoriais, Xbox

Depois de muitos meses de expectativa, a cortina começa finalmente a se levantar e tivemos ontem a primeira cena do show da E3, com a “Project Natal Experience” do Cirque du Soleil.

É difícil falar alguma coisa da apresentação em si, já que ela foi “fechada” e não pôde ser filmada ou até mesmo fotografada. Mas acho que já podemos comentar algo sobre a reação do pessoal (para quem quiser ler o que a galera anda pensando, recomendo dar uma lida no tópico de fórum do Portalxbox).

Antes de tudo, sobre o fato da apresentação ser fechada, para mim fica bem claro que a Microsoft pensou desde o princípio gravar a apresentação e transmitir depois a versão final editada, o que pelo pouco que pudemos ver parece fazer todo o sentido. Todos os comentários até agora dão conta de que foi um show onde muitas coisas aconteciam ao mesmo tempo, com participação da própria platéia, de uma forma bem grandiosa como o Cirque du Soleil costuma fazer. Entre simplesmente transmitir ao vivo e fazer uma edicão esperta e veloz, como um show que toda a família possa assistir, a segunda opção com certeza foi a mais acertada.

Outro comentário é sobre a relativa ausência de jogos mostrados, e isto faz ainda mais sentido. Quem foi para a experiência, não foi para uma coletiva de imprensa (por sinal, ficou bem claro também que os jornalistas ali definitivamente não eram o público alvo, apesar de alguns deles sempre acharem que são), mas para participar de uma gravação de um show, ponto. Na opinião de quem está bem longe e assumidamente pode estar errando feio, talvez se as pessoas tivessem se desligado das suas funções profissionais naquele momento, tivessem aproveitado muito mais. Foi uma celebração, da mesma forma que o show de abertura da copa na África do Sul não teve um pingo de futebol.

Sobre o perfil dos jogos apresentados, não há nem o que comentar: alguém realmente esperava que um espetáculo de experiência montado pelo Cirque du Soleil mostrasse jogos que não tivessem enfoque casual?

Finalmente, o assunto mais polêmico – o nome Kinect. Mudanças de nome são sempre muito interessantes, pois quando se anuncia uma delas sempre há o impacto inicial, o choque do novo. Me lembro como se fosse hoje o impacto negativo que o nome Natal teve no ano passado quando foi anunciado – e isto para nós, brasileiros, imaginem nos americanos para quem o nome não faz absolutamente nenhum sentido, e ainda é difícil de pronunciar. Porém, as pessoas se acostumaram com ele, e acabam tendo uma resistência enorme para a mudança. Alguns, inclusive, disseram preferir o Wave, que até é um bom nome de produto ;) , mas que tem um problema clássico – só tem sentido em inglês. Por outro lado, Kinect é um nome genial por vários motivos, e convido vocês a esta reflexão.

Primeiro, porque é uma palavra que de fato não existe, mas que remete imediatamente a uma nocão de movimento. Assim como Google, é uma palavra inventada, mas que tem tudo para pegar. Ao juntar Kinetic + Connect, demontra claramente as duas intenções primordiais do produto. E mais, por pegar sua raiz no grego (que segundo o pai da moça do filme Casamento Grego, é a raiz de todas as palavras do mundo), ganha sentido em uma quantidade gigante de idiomas – incluindo o nosso – não sendo difícil de pronunciar na maioria deles. E, talvez o mais importante, não tem ligação nenhuma diretamente com os games, o que é crucial em um produto que tem tudo para expandir as barreiras de utilização apenas no Xbox 360, e se tornar a interface de usuário de fato em vários aparelhos daqui a alguns anos.

Longa vida ao Kinect!

Malegra on junho - 14 - 2010

… somente duas palavras: Twin Blades.

 

Sem mais.

Malegra on maio - 31 - 2010
categorias: Windows Phone, Xbox

Recentemente, participei de uma belíssima discussão em um tópico do fórum do Portalxbox a respeito do interesse da Electronic Arts em publicar os jogos da Bungie, e o papo seguiu para o modelo de negócios da Microsoft em relação a first-parties e games exclusivos no Xbox 360.

Para colocar as coisas em contexto, o termo first-party se refere a um estúdio controlado pela própria fabricante de um console, e que por conta disto desenvolve seus títulos de forma exclusiva. Alguns estúdios mantém seus nomes mesmo sendo first-parties, como foi o caso da própria Bungie enquanto estava sob as asas da Microsoft, ou carregar o nome da empresa mãe, como os diversos estúdios Nintendo espalhados pelo mundo. Por outro lado, um estúdio third-party não tem ligação direta com a fabricante do console, e geralmente produzem seus jogos de forma livre (apesar de poderem, para alguns títulos ou séries, estabelecer contrato de exclusividade para um determinado console).

A polêmica toda na comunidade Xbox se deve ao fato da Microsoft ter recentemente transformado o badalado estúdio first-party Bungie, responsável pelo maior sucesso do console (Halo), em um estúdio third-party – teoricamente livre para produzir jogos justamente para o maior inimigo do front, o PS3. As estratégias dos competidores, por sinal, não poderiam ser mais antagônicas – enquanto a Sony busca manter mão de ferro nas exclusividades (as quais, a bem da verdade, fizeram de 2009 um ano bastante forte para o PS3), a Microsoft parece dia após dia desmantelar os estúdios sob seu controle.

Cada uma das três empresas da atual guerra dos consoles tem objetivos, perfis e métricas completamente diferentes. A Nintendo, apesar de falhar em trazer jogos de third-parties (afinal, qual jogo não publicado por ela própria pode ser considerado um grande sucesso?), vende milhões de unidades de seus consoles, para uma fatia de mercado completamente nova. Suas escolhas se justificam muito pelo fato dela ser a única das três que sobrevive única e exclusivamente dos videogames. Tanto a Microsoft quanto a Sony tem outros objetivos em jogo, e com certeza visões diferentes do que é “sucesso” ou “fracasso”. Pode ser que, na visão dos executivos da Sony, apenas o fato do Play 3 estar popularizando o formato BluRay já garanta seu sucesso.

Eu já havia expressado minha opinião sobre este novo modelo que a Microsoft está pregando na edição #2 do podcast Conexão Windows (vale a pena ouvir, a edição está fantástica e não apenas por este assunto),  mas repito aqui: acredito que o modelo de exclusividade, para os games, é um modelo falido. Na prática, para os consumidores pouco importa se um jogo é exclusivo ou não (exceto para o xiitismo dos “istas” furiosos), e manter uma estrutura de exclusividade não só é caro como afugenta as third-parties.

Muito do sucesso do Xbox hoje se deve ao fato da Microsoft ter criado um ecossistema que permitiu às thirds ganharem seu dinheirinho sem serem incomodadas pela “sombra do Mario” (no caso da Nintendo) ou da “mão-de-ferro” da Sony. O que, por sinal, é uma qualidade reconhecida da Microsoft não apenas no setor de games, mas em todas as áreas de sua atuação.

Muita gente coça a cabeça ao avaliar as aquisições da Rare e da Lionhead pelo fato das duas não produzirem games em grande quantidade, mas não percebem que hoje elas têm papel fundamental na disponibilização de ferramentas e SDKs para as terceiras. O sistema e as APIs de avatares, por exemplo, foi desenvolvido pela Rare, e a Lionhead (e seu diretor Peter Molyneux) são uma das maiores, senão a maior força criativa por trás do Natal. Para as thirds, ter acesso a isto de uma forma praticamente irrestrita é uma vantagem competitiva enorme do Xbox.

Existe um risco enorme ao se manter um modelo baseado em exclusivos, que é o de afugentar os jogos de terceiros do aparelho, que teria de viver apenas de exclusivos produzidos pela própria produtora do console. O Wii já sofre um pouco disto hoje, com as grandes thirds desprezando-o para os blockbusters apesar do fato do mesmo ter uma base instalada gigantesca. A Sony vem sofrendo fortes baixas por ter vários jogos de terceiros sendo lançados com grande atraso, ou através de ports mal feitos ou preguiçosos (o que seria a única explicação para um jogo multiplataforma ser pior no PS3, dado o excelente hardware que ele tem). Este é o risco da própria fabricante produzir para seu console, pois se ela fechar o mercado para si, tem que bancar o custo todo da produção da brincadeira.

É claro que o modelo de exclusividade foi o motor da história dos videogames até recentemente, mas não acredito de fato que a exclusividade é o grande fator vendedor de videogames hoje, principalmente para o público não hardcore. O que vende hoje são as experiências agregadas ao console, algo além do que apenas o software pode oferecer. Esta geração tem um campeão numérico de venda de consoles, o Wii, que tem como killer app uma coletânea de minigames de esportes. O Xbox 360 tem um killer app, a meu ver, com a Xbox Live e a experiência que ela traz. E a Sony sim, continua firme e forte com o modelo de videogames clássico que a gente cresceu vendo, fazendo pessoas comprarem um PS3 só para jogar God of War. Mas repito: é extramemente caro desenvolver um jogo como God of War 3, é uma jóia rara. O Projeto Natal está sendo projetado para ser um killer app no futuro também – como “experiência” geral, e não apenas ao redor de um único título.

Para ficar no assunto Bungie, a própria franquia Halo é um excelente exemplo do novo modelo, no qual a Microsoft manteve sob seu controle o que realmente importa – a propriedade intelectual – e terceirizou o trabalho pesado (e caro) da produção do game em si.

Ainda assim, mesmo com toda a força da franquia, não acredito que seja correto dizer que hoje Halo ainda é quem segura a plataforma Xbox sozinho, ou que será ela a série a segurar o próximo console. Com o Projeto Natal esta tendência tende a ser ainda mais reduzida. É certo que Halo é uma fábrica de dinheiro, mas o Xbox 360 hoje também é “a casa” de grandes séries que sabidamente vendem mais na plataforma – Call of Duty, Rock Band, Madden. O primeiro Xbox se segurou apenas em Halo, e perdeu para a grande variedade de ofertas do Playstation 2.

Atualmente os custos são altos demais para todos os lados – fabricantes dos consoles, produtoras, até mesmo consumidores – para uma plataforma se manter em torno de uma ou duas séries. Pessoalmente, gostaria muito de ter um Playstation 3 para jogar God of War (confesso!), mas não possuo pelo simples fato que, por melhor que seja este título em específico, acho muito caro manter um console só por ele, e o Xbox 360 me oferece mais títulos.

Pense nisto antes de se revoltar pelo fato de um título que originalmente era exclusivo de sua plataforma, subitamente apareceu também no console concorrente. Ou se aquela produtora que tanto lhe é querida parecer ter “traído o movimento” ao se tornar independente. Se no fim do dia isto significar mais e melhores jogos, não terá valido a pena?

Malegra on maio - 28 - 2010
categorias: Editoriais, Xbox

Bem, antes de tudo, para quem não se inteirou da notícia ainda, recomendo o comentário completo que meu grande amigo Rodo postou no Conexão Windows. E segue um pequeno resumo: o comandante da divisão de Entertainment & Devices da Microsoft, Robbie Bach, está de saída da empresa. E no mesmo dia, também foi anunciada a saída de J Allard, que agora será um consultor independente direto de Steve Ballmer.

Acho que ainda é cedo, bem cedo para dizer o impacto que isto vai ter na divisão de entretenimento e dispositivos. Mas, de certa forma, era uma mudança já esperada, afinal toda esta divisão tá vinha sofrendo uma grande sacudida e reestruturação.

Sobre Robbie Bach, pessoalmente não acredito que ele venha realmente a se aposentar em definitivo, pois é relativamente novo (48 anos). Se for pra apostar em algo, eu diria que ele deve reaparecer com alguma startup própria no setor de games em breve. Mas este post é para falar sobre J Allard, simplesmente um dos meus heróis dentro da Microsoft.

Primeiramente, para quem não conhece sua história recomendo a leitura de sua biografia no site de executivos da empresa, e também da transcrição do discurso que ele fez (juntamente com Robbie Bach) na E3 2005, anunciando o 360.

O fato é que Allard sempre foi mais um “visionário” do que um “administrador”, sendo responsável direto por mudanças gigantes na forma de pensamento da Microsoft em relação a pelo menos três assuntos cruciais da tecnologia – a internet, os games, e a multimídia. Seu memorando de 1994, Windows: The Next Killer Application on the Internet, convenceu muitos funcionários do futuro que a rede estava trazendo para os PCs, e moldou a estratégia futura da Microsoft em um mercado que até então desconhecia completamente (e qualquer semelhança com a entrada posterior da empresa na indústria de videogames não é mera coincidência, neste caso).

Pois bem, no caso de J Allard, por incrível que possa parecer eu acredito que ele está “caindo pra cima”, e deixando de vez suas tarefas gerenciais para se dedicar única e exclusivamente para o que ele faz de melhor – viajar na maionese, e aconselhar a Microsoft ao caminho certo. E isto de forma independente, como consultor contratado. Por isto, se eu já admirava o Allard antes, admiro muito mais agora. E falando em termos de Microsoft, isto pode ser muito bom, pois o Allard é um grande visionário e, por mais que eu ame a divisão de E&D, trazer isto para a companhia como um todo pode ser proveitoso demais e ajudar a unificar ainda mais a visão de futuro da empresa.

Malegra on maio - 26 - 2010
categorias: Editoriais, Xbox

Como parte das comemorações das 100 edições de Podcast Portalxbox, meu grande amigo e companheiro de administração de Portalxbox (e também MVP) DocAraxá teve a honra de entrevistar o designer de níveis brasileiro Thiago Rocha, funcionário da Remedy há dois anos e um dos envolvidos com o desenvolvimento do super lançamento Alan Wake.

Independente de seu interesse por Alan Wake ou mesmo pela plataforma Xbox, recomendo fortemente ouvir a entrevista (disponível neste link) pois as opiniões emitidas pelo Thiago durante a mesma são simplesmente fantásticas – desde como é o ambiente de trabalho na Remedy e na Finlândia, como funciona o processo de desenvolvimento de um nível de um jogo AAA, distribuição digital, pirataria, e principalmente como foi o caminho para ele chegar a trabalhar em um estúdio de primeiro escalão.

Malegra on maio - 26 - 2010
categorias: Xbox