Bem, depois de tanta especulação e expectativa, o iPad está entre nós.

Acredito que a uma hora destas todo mundo já sabe especificações, preços, fotos e tudo mais, então nem vou me prender (e perder meu tempo, hehehe) descrevendo isto ou copiando e colando informações. Vou direto ao ponto com minhas impressões iniciais sobre o aparelho (mas se ainda assim você quiser especificações… o Zumo tem um excelente descritivo – leia lá e volte aqui depois).
O que eu gostei?
- Preço. Achei que a Apple conseguiu uma combinação legal de recursos / preço, talvez a melhor que ela já tenha conseguido sem contar com subsídios de operadoras e em um aparelho “desbloqueado” para o mercado mundial. Isto é ótimo para nós aqui no Brasil.
- Tamanho e peso. Não é muito grande nem muito pequeno, e fino na medida certa. Claro que isto só dá para sentir 100% com o aparelho na mão, mas olhando o Steve Jobs navegando nele, não dá pra não passar vontade.
- Interface com o Usuário. O estilo “iPhone” com esteróides da interface ficou muito bacana, e muito bonito. Os movimentos não parecem ser lá muito naturais (mais sobre isto abaixo), mas que é bonito, isto é – principalmente o Works. E os efeitos de virar página do leitor de eBook são fenomenais.
- Teclado on-screen. Outra coisa que só dá para dizer com certeza com o aparelho na mão, mas ao menos a idéia de apresentar teclado sensitivos ao contexto – alfanumérico, numérico, de datas – é simples e inteligente ao mesmo tempo.
- Qualidade da tela. Me pareceu ser excelente, e dá para ler livros na boa. Se realmente for, quem vai querer um Kindle e sua tela preto-e-branca?
- Bateria. Dez horas, um tempo excelente para um dispositivo que reproduz vídeos e tudo o mais. Seria legal saber o tempo utilizando o Wi-Fi direto, mas ainda assim acho que dá para esperar coisa boa.
O que eu definitivamente NÃO gostei?
- Double-pixel. Tá certo, isto é uma puta vantagem comercial para a Apple, vai fazer com que tenham milhares de aplicativos para o iPad já no dia de lançamento, coisa e tal, mas fazer com que aplicativos desenhados originalmente para um iPhone rodem em tela cheia no iPad esticando pixels é algo que parece (e pelo que eu vi até agora, realmente é) feio pra cacete.
- Desenvolvimento com o SDK do iPhone. Outra coisa que é completamente compreensível pela ótica da Apple, mas para nós desenvolvedores é péssimo. Ter que pagar para desenvolver, e ainda por cima no MacOS, é dose.
- Bordas. Seria muito complicado que um tablet fosse completamente borderless (como você iria segurar ele sem emitir um comando para a tela?), mas juro que eu esperava que a Apple tivesse uma solução mais inteligente ou criativa do que simplesmente adicionar uma borda gigante no aparelho. Ok, resolveu, mas ficou feio e todo mundo ficou com a sensação de que a Apple podia ter inovado mais.
- Cadê o multitask? Até agora, ninguém viu aplicações rodando em paralelo – nas demos você entrava em uma aplicação, usava, e saía dela para entrar em outra. Em um aparelho que segundo a própria Apple está no meio do caminho entre um netbook, isto pode ser mortal.
- Games. Apesar da Apple ter dado um destaque para eles, não gostei de nenhum game apresentado. Sei lá, Need for Speed em um tablet totalmente touch-screen não me parece completamente adequado… fico pensando o estrago que um Miyamoto faria se tivesse liberdade para criar com um brinquedo destes. Vamos confiar na inventividade dos desenvolvedores e na nova leva de jogos que se aproveitem especificamente da interface de toque e da tela grande, porque estes aí…
- Não tem câmera. Ah, qual é? O aparelho grita por uma aplicação de videoconferência, e não tem uma câmera embutida? Só pode ser piada.
- Ausência de plugins no Safari, o que significa ausência de Flash (e Silverlight). Mostrar um website na apresentação com a clássica imagem da pecinha faltante onde deveria ter uma animação flash no lugar só piorou a situação. Poxa, hoje em dia até PSPs rodam flash…
- Comandos de toque não parecem ser intuitivos. Isto pode ser um grande problema. Em todas as demonstrações que assisti, parece que os usuários não conseguem “sacar” rapidamente quais os comandos de toque que precisam para fazer algo – afinal, são vários, e muitos deles novos para o iPad. Isto é um problema clássico de tablets, e seria ótimo uma padronização entre as empresas pelo menos para os comandos mais básicos, sob o risco de confundir os usuários mais casuais. Veja por exemplo o vídeo abaixo, e a surra que o pessoal da Engadget toma do iPad para fazer as tarefas mais simples:
É isto pessoal. Resumindo o que penso do iPad: um aparelho com um enorme potencial, mas também com grandes dúvidas (e alguns problemas, porque não dizer). Imagino que será um grande sucesso, afinal produtos da Apple costumam trilhar por este caminho e, com o preço bastante razoável que ele está chegando, muita gente vai pagar pra ver, ou ao menos relevar os problemas do aparelho. É inclusive o que penso pessoalmente: se um dia tiver a oportunidade, pegarei um com certeza. Nem que seja pela curiosidade…
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